Everolimo

Ações terapêuticas.

Profilaxia da rejeição de órgãos em transplantes alogênicos de rim ou coração.

Propriedades.

Trata-se de um agente imunossupressor seletivo, que atua inibindo a proliferação das células T ativadas por antígeno e, portanto, a expansão clonal das mesmas, o que está dirigido por interleucinas específicas (IL-2; IL-15). O everolimo inibe uma via de sinalização intracelular que normalmente conduz à proliferação celular, quando tenha sido produzida pela união destes fatores do crescimento das células T a seus receptores específicos. Em nível molecular, forma um complexo com a proteína citoplasmática FKBP-12. Além disso, inibe a proliferação de células hematopoiéticas e não-hematopoiéticas, como as do músculo liso vascular estimulado pelo fator de crescimento, que levam à formação da neoíntima. O fármaco é administrado por via oral e apresenta uma boa absorção no trato digestório, a qual é afetada quando o fármaco é ingerido juntamente com alimentos ricos em gorduras. Possui uma ampla distribução e sua ligação a proteínas plasmáticas é da ordem de 74%. O everolimo é um substrato do CYP3A4 e da glicoproteína P. A principal via de eliminação é fecal (80%) e somente uma proporção mínima (5%) eliminada pela via urinária. Sua biotransformação metabólica é realizada em nível hepático.

Indicações.

Profilaxia de rejeição de órgãos em pacientes adultos com risco imunológico baixo a moderado que recebem um transplante alogênico renal ou cardíaco.

Posologia.

Por via oral, com dose inicial de 0,75 mg duas vezes ao dia, administrado imediatamente pós-transplante, ao mesmo tempo que a ciclosporina em microemulsão. Seus níveis séricos deverão ser monitorados, visto que eventualmente pode ser necessário realizar reajustes posológicos a cada 4 ou 5 dias.

Reações adversas.

Estes efeitos estão na dependência da faixa de doses empregadas (1,5 ou 3 mg/dia) e da duração do tratamento imunossupressor. Foram registradas elevações da creatinina, trombocitopenia e aparição de neoplasias de pele ou patologias linfoproliferativas. Também houve relatos de hiperlipidemia em pacientes que estavam sob tratamento com ciclosporina e everolimo.

Precauções.

Em pacientes com insuficiência hepática recomenda-se monitorar os níveis plasmáticos do fármaco. Não se recomenda a coadministração com agentes inibidores do sistema CYP3A4 (cetoconazol, itraconazol, claritromicina, ritonavir) ou indutores (rifampicina). Os pacientes que recebem imunossupressores podem ter maior risco de adquirir infecções ou manifestar neoplasias cutâneas; é aconselhável evitar a exposição à luz solar ou ultravioleta. Recomenda-se realizar a monitoração permanente da função renal. Em mulheres em idade fértil deve-se alertar para o uso de métodos contraconceptivos enquanto estejam sob tratamento imunossupressor. A funcionalidade renal deverá estar sob permanente monitoração.

Interações.

Este fármaco não deve ser associado com fármacos inibidores ou indutores do CYP3A4. Os inibidores da proteína P podem aumentar os níveis séricos do imunossupressor. A ciclosporina aumenta a biodisponibilidade do everolimo. Pode ocorrer aumento dos níveis séricos de everolimo com os seguintes fármacos: antifúngicos (fluconazol), macrolídeos (eritromicina), bloqueadores do cálcio (verapamil, diltiazem), inibidores de protease (nelfinavir, indinavir). Os seguintes fármacos podem ativar o metabolismo e consequentemente reduzir os níveis séricos do everolimo: anticonvulsivantes (fenobarbital, fenitoína, carbamazepina), fármacos anti-HIV (efavirenz, nevirapina), Hypericum perforatum, as uvas e o suco de uvas. A resposta imunológica a vacinas pode ser afetada.

Contraindicações.

Hipersensibilidade conhecida ao everolimo ou ao sirolimo. Gravidez e amamentação. Vacinas com microrganismos vivos.

Medicamentos que tem Everolimo