Mitotano

Ações terapêuticas.

Antineoplásico.

Propriedades.

É um agente com ação citotóxica sobre a córtex suprarrenal e que também pode causar inibição da glândula. Acredita-se que o mitotano modificaria o metabolismo dos esteroides, além de suprimir diretamente o córtex suprarrenal, levando à redução dos 17-hidroxicorticosteroides sem afetar os níveis dos corticosteroides plasmáticos. Administra-se por via oral, e a co-administração com os alimentos aumentaria sua absorção pelo trato gastrintestinal. O fármaco se distribui por todos os tecidos e é armazenado especialmente no tecido gorduroso, de onde é lentamente liberado, o que explica sua meia-vida que vai de 18 a 159 dias.

Indicações.

Carcinoma da córtex suprarrenal.

Posologia.

Indica-se por via oral em dose de 2-3 gramas por dia dividida em 2 ou 3 tomadas, preferentemente com as refeições. Transcorridos 60 dias de tratamento, a dose pode ser reduzida para, 1-2 gramas ao dia. Se decorridos 3 meses não houver melhora apreciável, e na ausência de fenômenos de toxicidade, pode chegar-se a empregar 6 gramas ao dia.

Reações adversas.

As mais frequentemente relatadas foram: náuseas, diarreia, vômitos, dispepsia, vertigens, astenia, anorexia, sonolência, leucopenia, reações cutâneas, ginecomastia, hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia, aumento das enzimas hepáticas.

Precauções.

Em pacientes com infecções ou traumatismos graves o tratamento deverá ser interrompido temporariamente e administrar esteroides exógenos dado o estado de supressão suprarrenal. Recomenda-se monitorar os níveis séricos do fármaco, tendo em mente que a janela terapêutica situa-se entre 14 e 20 mg/l, visto que níveis superiores a 20 mg/l não oferecem maior eficácia terapêutica, porém maior toxicidade. Em pacientes com insuficiência hepática ou renal, e em pacientes obesos, recomenda-se avaliar cuidadosamente o tratamento. Do mesmo modo, deve-se efetuar um controle do SNC e um controle hematológico periódico dada a possibilidade de ocorrerem lesões cerebrais irreversíveis e problemas hemorrágicos. Como o mitotano produz certo grau de insuficiência suprarrenal é possível que se requeiram esteroides exógenos em forma de terapia de substituição. Recomenda-se aos pacientes que não dirijam veículos nem trabalhem com máquinas que exijam agilidade mental e física, visto que o mitotano provoca sonolência e sedação.

Interações.

Não associar com espironolactona visto que se anularia o efeito do mitotano. Anticoagulantes: o mitotano acelera o metabolismo da varfarina por sua ação sobre o metabolismo hepático (indução enzimática microssômica). Como o mitotano tem um efeito indutor enzimático hepático sobre o sistema citocromo P-450, pode haver interferência sobre as concentrações plasmáticas de griseofulvina, hipérico, rifampicina, fenitoína.

Contraindicações.

Hipersensibilidade ou alergia ao fármaco. Amamentação. Não associar com espironolactona.