Etoposídeo

Ações terapêuticas.

Antineoplásico.

Propriedades.

O etoposídeo, também conhecido como VP-16, é uma podofilina semi-sintética derivada da planta de mandrágora. É desconhecido o mecanismo exato do efeito antineoplásico do etoposídeo. Ao que parece, atua na etapa pré-mitótica da divisão celular para inibir a síntese de DNA; é dependente do ciclo celular e específico de fase, com um efeito máximo sobre as fases S e G2 da divisão celular. Sua distribuição é baixa e variável no LCR. Sua união às proteínas é muito elevada (97%). É metabolizado no fígado e é eliminado por via renal, de 44 a 60%, e até 16% por via fecal.

Indicações.

Carcinoma testicular refratário em pacientes já submetidos a cirurgia, quimioterapia e radioterapia adequadas. Carcinoma de pulmão de células pequenas. Linfomas de Hodgkin e não-Hodgkin. As indicações aceitas dos antineoplásicos, sua dosagem e protocolos encontram-se sob constante revisão.

Posologia.

Adultos, ampolas <196> carcinoma testicular: infusão IV, de 50 a 100 mg/m2/dia nos dias 1 a 5, ou 100 mg/m2/dia nos dias 1, 3 ou 5 de um regime que se repete com intervalos de 3 ou 4 semanas. Carcinoma de pulmão de células pequenas: infusão IV, de 35 mg/m2/dia durante 4 dias a 50 mg/m2/dia durante 5 dias, repetidos a cada 3 ou 4 semanas. Cápsulas <196> carcinoma de pulmão de células pequenas: 70 mg/m2/dia durante 4 dias a 100 mg/m2/dia durante 5 dias, repetidos a cada 3 ou 4 semanas.

Reações adversas.

Muitas reações adversas da terapêutica antineoplásica são inevitáveis e representam a ação farmacológica do fármaco. Algumas delas (leucopenia e trombocitopenia) são utilizadas como indicadores da eficácia da medicação: perda de cabelo, febre, calafrios, hemorragia ou hematomas não-habituais, taquicardia, anorexia, náuseas, vômitos ou cansaço não-habitual.

Precauções.

Recomenda-se administrá-lo por infusão IV lenta, durante um período de 30 a 60 minutos, para evitar a hipotensão. Não deve ser administrado por outra via parenteral. Pode ser utilizado em combinação com outros fármacos em distintos protocolos, com alteração da incidência ou gravidade dos efeitos colaterais e diferentes dosagens. Evitar as imunizações, a menos que médico as aprove. Pode ocorrer supressão gonadal, o que provoca amenorreia ou azoospermia. Em geral, estes efeitos estão relacionados com a dose e a duração do tratamento. Recomenda-se evitar sua administração durante o primeiro trimestre da gravidez e o período de lactação. Seu efeito depressor sobre a medula óssea pode provocar um aumento da incidência de infecções microbianas, retardo na cicatrização e hemorragia gengival.

Interações.

Medicamentos que produzem discrasia sanguínea, os depressores da medula óssea ou a radioterapia podem aumentar os efeitos depressores sobre a medula óssea.

Contraindicações.

Varicela existente ou recente, herpes-zóster. A relação risco-benefício deverá ser avaliada em presença de depressão da medula óssea, disfunção hepática, infecção e disfunção renal.