Dissulfiram

Ações terapêuticas.

Sensibilizante ao álcool.

Propriedades.

Inibe a oxidação do acetaldeído (produto do metabolismo do álcool) e é por isso que a ingestão de álcool durante o tratamento com dissulfiram provoca uma incômoda e desagradável resposta (vômitos, cefaleias, dispneia, sudorese, precordialgias). Seu mecanismo de ação é devido à inibição da aldeído desidrogenase hepática. O acetaldeído é responsável pelos efeitos desagradáveis que persistem até que o álcool seja metabolizado, sem interferir na sua eliminação. O dissulfiram é absorvido e eliminado lentamente; os efeitos continuam até uma ou duas semanas depois de ingerida a última dose; não produz tolerância.

Indicações.

Tratamento coadjuvante de pacientes alcoólatras crônicos seletos, em combinação com suporte psicoterapêutico.

Posologia.

Não deve ser administrado até que o paciente tenha suspendido a ingestão de álcool (pelo menos por 12 horas). Dose inicial: 500 mg/dia durante uma ou duas semanas. Dose de manutenção: 250 mg/dia. Nota: se o paciente consumir álcool enquanto recebe dissulfiram se desenvolve uma reação que requer tratamento: restabelecimento da pressão sanguínea, tratamento para choque e, se necessário, oxigênio, carbogênio (95% oxigênio, 5% de dióxido de carbono), vitamina C intravenosa em doses massivas (1 g) e sulfato de efedrina.

Reações adversas.

Pode provocar neurite óptica, polineurite e neuropatia periférica. Hepatite colestática fulminante. Erupções que podem ser controladas com anti-histamínicos. Em alguns casos aparecem sonolência, fadiga, impotência, cefaleia, sabor de alho ou metálico, que costumam desaparecer após duas semanas de tratamento. Reações psicóticas foram registradas em doses elevadas ou toxicidade combinada (metronidazol, isoniazida).

Precauções.

Não deve ser administrado em presença de intoxicação alcoólica. O paciente deve ser plenamente informado de que receberá este medicamento e de seus possíveis efeitos assim como das precauções que deve tomar. O efeito antabuse, que se apresenta devido à administração simultânea de álcool e dissulfiram inclui avermelhamento, cefaleia, dispneia, náuseas, vômitos, sudorese, sede, precordialgia, palpitações, debilidade, vertigem, visão turva e, em casos mais graves, podem ocorrer depressão respiratória, colapso cardiovascular, arritmias, infarto de miocárdio, insuficiência cardíaca congestiva aguda, perda de consciência, convulsões e morte.

Interações.

O dissulfiram interfere na metabolização de certos fármacos, razão pela qual alguns efeitos tóxicos podem ser incrementados. A administração em pacientes que recebem fenitoína e fármacos relacionados deve ser acompanhada com monitoramente plasmático dos mesmos, pois pode desenvolver-se intoxicação por fenitoína. A dose de anticoagulantes orais deve ser ajustada. A isoniazida pode originar andar instável e alteração nítida do estado mental quando administrada junto ao dissulfiram. A combinação de dissulfiram e nitritos ou brometo de etileno em animais é a causa de incremento da incidência de tumores, sem que ainda tenha sido colocado em evidência um efeito similar em seres humanos. Durante o tratamento e em pacientes tratados com digitálicos deve-se controlar a potassemia.

Contraindicações.

Hipersensibilidade ao dissulfiram ou a outros derivados tiuram utilizados na indústria do caucho. Pacientes que tenham recebido metronidazol, paraldeído, álcool ou preparações que os contenham (xaropes para a tosse) recentemente. Deve-se evitar a exposição a formas dissimuladas do álcool: vinagres, molhos, loções etc.

Medicamentos que tem Dissulfiram