Cetuximabe

Ações terapêuticas.

Antineoplásico.

Propriedades.

O cetuximabe é um anticorpo IgG1 monoclonal quimérico humano/murino que se une ao domínio extracelular do receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR, HERl, ErbB-l) presente em células normais e tumorais. As vias de sinalização do EGFR estão implicadas no controle da sobrevivência celular, na progressão do ciclo celular, na angiogênese, na migração celular e a invasão/metástase celular. O cetuximabe liga-se ao EGFR com uma afinidade aproximadamente 5 a 10 vezes superior àquela apresentada pelos ligantes endógenos. Ao exercer o bloqueio da ligação destes últimos, provoca a inibição da função do receptor. Além disto, induz a internalização de EGFR, o que ocasiona uma diminuição dos receptores disponíveis na superfície celular. O cetuximabe também orienta as células efetoras imunitárias citotóxicas contra as células tumorais que expressam EGFR (citotoxicidade mediada por células dependente de anticorpo, ADCC). Tanto em ensaios in vitro como in vivo, o cetuximabe inibe a proliferação e induz a apoptose das células tumorais humanas que expressam o EGFR. In vitro, o cetuximabe inibe a produção de fatores angiogênicos por parte das células tumorais e bloqueia a migração das células endoteliais. In vivo, o cetuximabe inibe a expressão de fatores angiogênicos por parte das células tumorais e provoca uma redução da neovascularização e das metástases tumorais. Sua administração é realizada isoladamente ou em combinação com quimioterapia ou radioterapia. As perfusões intravenosas de cetuximabe apresentaram uma farmacocinética dose-dependente com doses semanais de 5 a 500 mg/m2 de superfície corporal. Sua meia-vida de eliminação é prolongada, com valores que oscilam entre 70 e 100 horas para a dose estabelecida. As concentrações séricas alcançam níveis estáveis por volta de três semanas de monoterapia com o cetuximabe. Estão descritas diversas vias que podem contribuir para o metabolismo dos anticorpos, as que implicam em biodegradação do anticorpo em moléculas de menor tamanho, ou seja, peptídeos pequenos ou mesmo aminoácidos. As características farmacocinéticas de cetuximabe não parecem ser influenciadas por fatores como raça, idade, sexo, estado da função renal ou hepática.

Indicações.

O cetuximabe está indicado, em combinação com quimioterapia, para o tratamento de pacientes com câncer colorretal metastático com expressão do receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR) e com gene KRAS do tipo nativo. Como agente único, em pacientes que não obtiveram êxito com tratamentos baseados em oxaliplatina e irinotecano e que sejam intolerantes ao irinotecano. Cetuximabe está indicado para o tratamento de pacientes com câncer espinocelular de cabeça e pescoço, em combinação com radioterapia para a enfermidade localmente avançada. Em combinação com quimioterapia baseada em platina para a enfermidade recorrente e/ou metastática, ou como agente único após insucesso da quimioterapia para a enfermidade recorrente e/ou metastática.

Posologia.

O cetuximabe deve ser administrado sob a supervisão de um médico experiente no uso de medicamentos antineoplásicos. É necessário realizar um monitoramento estrito durante o tempo de infusão e pelo menos 1 hora após finalizar a mesma. Equipamentos de reanimação devem estar disponíveis e prontos para uso. Antes da primeira infusão, os pacientes devem receber pré-medicação com um anti-histamínico e um corticosteroide. Esta pré-medicação é recomendada antes de todas as infusões subsequentes. Em todas as indicações, o cetuximabe é administrado uma vez por semana. A primeira dose é de 400 mg de cetuximabe por m2 de área de superfície corporal, com um período de infusão recomendado de 120 minutos. Todas as doses semanais subsequentes são de 250 mg por m2 de área de superfície corporal, cada uma com um período de infusão recomendado de 60 minutos. A velocidade de infusão máxima não deve superar os 10 mg/min.

Superdosagem.

Não houve registro de nenhum caso de superdosagem.

Reações adversas.

As principais reações adversas incluem reações de hipersensibilidade leves ou moderadas (febre, calafrios, náuseas, erupção cutânea ou dispneia), reações de hipersensibilidade graves (broncospasmo, estridor, ronqueira, urticária e/ou hipotensão), febre, constipação, transtornos oculares, transtornos respiratórios e insônia, depressão, erupção acneiforme. A maior parte das reações cutâneas aparecem durante a primeira semana de tratamento e em geral são reversíveis. Em combinação com irinotecano as reações adversas incluem, além das mencionadas anteriormente, diarreia, náuseas, vômitos, perda de peso, dor abdominal, mucosite, estomatite, desidratação, anemia, leucopenia e alopecia.

Precauções.

Foram registradas reações de hipersensibilidade graves e os sintomas normalmente surgiram durante a perfusão inicial e até 1 hora depois, porém podem ocorrer após várias horas. Nestes casos recomenda-se suspender o tratamento. Administrar com precaução naqueles pacientes com estado funcional comprometido e doença cardiopulmonar prévia. A dispneia pode ocorrer em relação temporal próxima à perfusão de cetuximabe como parte de uma reação de hipersensibilidade, porém também foi descrita após várias semanas de tratamento, relacionada possivelmente com a doença subjacente. Caso ocorram reações cutâneas graves, o tratamento deve ser interrompido. Recomenda-se não expor-se ao sol por períodos prolongados durante o tratamento, dado que as reações cutâneas podem exacerbar-se. Dado que o receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR) está implicado no desenvolvimento do feto e que houve comprovação de que outros anticorpos IgG1 atravessam a barreira placentária, recomenda-se administrar cetuximabe apenas se o benefício potencial justifique o risco potencial para o feto. É recomendável que as mulheres não amamentem durante o tratamento. Os dados pré-clínicos de genotoxicidade e tolerabilidade local com administração acidental por vias distintas às da perfusão não indicaram um risco especial em seres humanos. Até o presente não se dispõe de dados pré-clínicos sobre o efeito dos anticorpos anti-EGFR na cicatrização de feridas. Não obstante, em modelos pré-clínicos de cicatrização de feridas, os inibidores EGFR seletivos da tirosina-quinase mostraram um retardo na cicatrização de feridas.

Interações.

Até o presente não foram relatadas interações medicamentosas com este fármaco.

Contraindicações.

Hipersensibilidade grave conhecida a cetuximabe.