Carbetocina

Ações terapêuticas.

Agente uterotônico.

Propriedades.

Ação farmacológica: agonista da ocitocina de ação prolongada. Como a ocitocina, a carbetocina se une seletivamente a receptores de ocitocina no músculo liso do útero, estimula as contrações rítmicas do útero, aumenta a frequência das contrações existentes, e aumenta o tono da musculatura do útero. No útero pós-parto, a carbetocina é capaz de aumentar a quantidade e a força das contrações espontâneas uterinas. O início da contração uterina após a administração de carbetocina é rápido, obtendo-se uma contração consistente 2 minutos após. A duração total da ação de uma injeção única intravenosa de carbetocina na atividade uterina é de aproximadamente hora, o que sugere que a carbetocina atua por um período prolongado o suficiente para prevenir hemorragias no pós-parto imediato. Em comparação com a ocitocina, a carbetocina induz uma resposta uterina prolongada quando administrada posteriormente ao parto, tanto em termos de intensidade como de frequência das contrações. Farmacocinética: verificou-se que a meia-vida de distribuição e a de eliminação de carbetocina em mulheres não grávidas é de 5,5 ± 1,6 minutos e 41 ± 11,9 minutos respectivamente, após uma dose IV de 400 mg, indicando uma espécie de dose-dependência para estes parâmetros. A depuração ("clearance") renal da molécula não modificada é baixa, dado que < 1% da dose injetada é eliminado sem alterações pelo rim, indicando que a carbetocina, assim como a ocitocina, é eliminada principalmente por vias não renais. Detectaram-se concentrações plasmáticas de carbetocina em 5 mães lactantes sadias aos 15 min, com um máximo de 1035 ± 218 pg/ml alcançado dentro de 60 min. Os picos de concentração no leite aos 120 mim foram aproximadamente 56 vezes menores que no plasma.

Indicações.

A carbetocina está indicada para a prevenção da atonia uterina e a hemorragia pós-parto cesariano sob anestesia epidural ou espinal.

Posologia.

Administram-se 100 mg de carbetocina em dose única por via intravenosa mediante uma injeção em forma de "bolo", ao longo de pelo menos um minuto, imediatamente após finalizado o parto cesariano com anestesia epidural. A carbetocina pode ser administrada antes ou após a dequitação da placenta.

Reações adversas.

A carbetocina administrada em forma IV associou-se com frequência (10%-40% das pacientes) com náuseas, dores abdominais, pruridos, vermelhidões, vômitos, sensação de calor moderado, hipotensão, cefaleias e tremores. As reações adversas pouco frequentes (1%-5% das pacientes) incluíram dores lombares, enjoos, gosto metálico, anemia, transpiração, angina de peito, dispneia, calafrios, taquicardia e ansiedade.

Precauções.

A carbetocina está destinada para uso unicamente em unidades de obstetrícia especializadas, bem equipadas, com pessoal experiente e qualificado, que estejam disponíveis a todo momento. Não se deve utilizar carbetocina em qualquer fase anterior à extração fetal, já que sua atividade uterotônica persiste durante várias horas após uma injeção única em bolo. Caso ocorra sangramento uterino persistente após a administração de carbetocina, a causa deverá ser determinada. Devem levar-se em conta causas tais como fragmentos de placenta retidos, curagem ou histerorrafia inadequados, ou problemas na coagulação. A carbetocina deve ser administrada em dose única. Em caso de hipotonia ou atonia uterina persistente e consequente sangramento excessivo, é necessário considerar a conveniência de terapia adicional com ocitocina e/ou ergometrina. Não há dados sobre o efeito de doses adicionais de carbetocina ou do uso de carbetocina em casos de atonia uterina persistente após a administração de ocitocina. Estudos em animais demonstraram que a carbetocina possui certa atividade antidiurética (atividade vasopressina: < 0,025 UI/ampola) e portanto não se pode descartar a possibilidade de certa hiponatremia, particularmente em pacientes que, adicionalmente, receberam grandes volumes de líquidos intravenosos. Deve-se exercer vigilância quanto ao aparecimento dos primeiros sinais de sonolência, apatia e dor de cabeça, no sentido de prevenir convulsões e coma. Em geral, a carbetocina deverá ser usada com precaução quando houver enxaqueca, asma e doenças cardiovasculares ou algum estado em que uma adição rápida de água extracelular possa ser de risco para um sistema já sobrecarregado. A decisão da administração de carbetocina pode ser tomada pelo médico depois de ponderar cuidadosamente o benefício potencial que a carbetocina poderia proporcionar nestes casos particulares. Não foram realizados estudos específicos em diabetes mellitus gestacional. Não há estudos sobre a eficácia da carbetocina em partos vaginais.

Interações.

Durante os ensaios clínicos, a carbetocina foi administrada em associação com analgésicos, espasmolíticos e agentes usados para anestesia epidural ou espinal, sem que houvesse registro de qualquer interação entre esses fármacos. Não foram realizados estudos específicos de interação medicamentosa. Dado que a carbetocina está relacionada estruturalmente com a ocitocina, não se pode excluir a existência de interações conhecidas que se associam com ocitocina: relataram-se casos de hipertensão grave quando foi administrada ocitocina 3 a 4 horas pela administração profilática de um vasoconstritor em associação com a anestesia de bloqueio caudal. Quando combinadas com alcaloides do ergot, tais como a metilergometrina, a ocitocina e a carbetocina podem melhorar a pressão sanguínea, reforçando o efeito destes agentes. Caso se administrem ocitocina ou metilergometrina na vigência de carbetocina, pode haver risco de exposição acumulativa. Demonstrou-se que as prostaglandinas potencializam o efeito da ocitocina, portanto é possível que o mesmo fenômeno ocorra também com a carbetocina. Portanto, não se recomenda a administração conjunta de prostaglandinas e carbetocina. Caso estes agentes sejam administrados concomitantemente, a paciente deverá ser cuidadosamente monitorada. Alguns anestésicos inalados, tais como o halotano e o ciclopropano, podem reforçar o efeito hipotensor e reduzir o efeito da carbetocina sobre o útero. Houve registros de episódios de arritmias durante o uso concomitante com ocitocina.

Contraindicações.

Durante a gravidez e parto antes da extração fetal. A carbetocina não deverá ser usada para a indução do parto. Hipersensibilidade à carbetocina, ocitocina ou a qualquer dos excipientes. Insuficiência hepática ou renal. Casos de pré-eclampsia e eclampsia. Distúrbios cardiovasculares graves. Epilepsia.