Dalteparina sódica

Ações terapêuticas.

Anticoagulante. Antitrombótico.

Propriedades.

A dalteparina sódica é produzida através da despolimerização da heparina sódica proveniente de mucosa intestinal de porcino, controlada com ácido nitroso. Seu peso molecular médio é de 5.000 daltons e possui em sua estrutura moléculas de um pentassacarídeo, o qual é essencial para a alta afinidade de ligação à proteína plasmática antitrombina. Seu principal mecanismo de atividade antitrombótica é por aumento da velocidade de neutralização de certos fatores de coagulação ativados pela antitrombina. O efeito antitrombótico depende principalmente de sua capacidade para potencializar a inibição do fator de coagulação Xa e da trombina via antitrombina (AT). A dalteparina sódica tem uma capacidade relativamente mais alta para potencializar a inibição do fator Xa do que para prolongar o tempo de coagulação. Diferentemente da heparina, exerce efeito apenas discreto sobre a função e a agregação plaquetárias; portanto, sua ação sobre a hemostasia primária é de pequena relevância. Não obstante, acredita-se que algumas de suas propriedades antitrombóticas sejam mediadas através de um efeito sobre a parede do vaso ou o sistema fibrinolítico. Sua meia-vida após injeção intravenosa é de 2 horas, enquanto após administração por via subcutânea é de 3 a 4 horas. A biodisponibilidade após a injeção subcutânea é de aproximadamente 90% e a farmacocinética é basicamente dose-independente.

Indicações.

Prevenção de tromboses venosas pós-operatórias e do tromboembolismo pós-cirúrgico. Tratamento de trombose venosa profunda. Tratamento de dores anginosas instáveis definidas das seguintes formas: angina de manifestação recente, angina crescente, dor de peito em curso, alterações eletrocardiográficas compatíveis com infarto do miocárdio não Q.

Posologia.

A dose para a prevenção de tromboses venosas pós-operatórias e cirurgia geral com risco associado de complicações tromboembólicas é de 2.500 UI por via subcutânea 1 a 2 horas antes da cirurgia e daí em diante 2.500 UI pela mesma via cada manhã até que o paciente ganhe mobilidade, geralmente 5 a 7 dias. A dose a ser administrada em caso de cirurgia geral associada com fatores de risco adicional e cirurgia ortopédica é 5.000 UI por via subcutânea na tarde anterior à operação e 5.000 UI por via subcutânea nas tardes seguintes. O tratamento deve ser continuado até a mobilização do paciente, em geral 5 a 7 dias ou mais. Como alternativa, podem administrar-se por via subcutânea 2.500 UI 1 a 2 horas antes da operação e 2.500 UI por via subcutânea 12 horas mais tarde; nos dias seguintes recomenda-se administrar cada manhã 5.000 UI por via subcutânea. Em adultos e idosos, a dose utilizada para o tratamento de angina instável e infarto do miocárdio não Q é 120 UI/kg de peso corporal a cada 12 horas por via subcutânea. O período de tratamento recomendado é de 5 a 8 dias, aconselhando-se terapia simultânea com aspirina em dose baixa. No tratamento da trombose venosa profunda pode-se administrar por via subcutânea em uma dose única ao dia ou em duas doses diárias. A dose única consiste em 200 UI/kg administradas por via subcutânea, controlando de tal modo que a dose diária máxima não supere 18.000 UI. A dose fracionada é de 100 UI/kg cada 12 horas por via subcutânea; esta forma de administração é recomendável em pacientes que requerem doses diárias superiores a 18.000 UI, que apresentem fatores de risco para sangramentos, ou naqueles pacientes em que é necessário analisar a atividade anti-Xa. Considera-se que os níveis anti-Xa recomendados obtidos após 3 a 4 horas após a administração devem estar entre 0,5-1 UI/ml. Aconselha-se iniciar o tratamento simultaneamente com a terapia com antagonistas da vitamina K. Nesta patologia, o tratamento com dalteparina deve ser instituído o quanto antes possível e prolongado durante pelo menos 5 dias ou até que os níveis do complexo protrombínico (fator II, VII, IX, X) tenham baixado até a faixa terapêutica. Em geral, não é necessária a monitoração da atividade anticoagulante, porém caso requerida a atividade da dalteparina pode ser controlada mediante a determinação de anti-Xa por um método funcional.

Superdosagem.

Dado que seu efeito anticoagulante é inibido pela protamina, recomenda-se utilizar este fármaco em caso de superdosagem, tendo em mente que 1 mg de protamina inibe o efeito de 100 unidades anti-Xa de dalteparina sódica.

Reações adversas.

As principais reações adversas compreendem sangramentos, em especial com altas doses, hematomas subcutâneos no local de aplicação do fármaco, trombocitopenia, necrose da pele e reações alérgicas. Menos frequentemente observa-se um discreto a moderado aumento transitório das transaminases hepáticas (ASAT, ALAT) e reações anafilactoides.

Precauções.

Recomenda-se administrar com precaução a pacientes com trombocitopenia e alterações plaquetárias, insuficiências hepáticas e renais graves, hipertensão não controlada, retinopatia diabética ou hipertensiva e hipersensibilidade conhecida à heparina ou a heparinas de baixo peso molecular. A dalteparina sódica exerce um efeito apenas moderado de prolongamento sobre as quantificações de tempo de coagulação, tais como TTPa (tempo de protrombina) ou tempo de trombina, razão pela qual é recomendável monitorar sua eficácia por métodos funcionais anti-Xa. Os estudos realizados em mulheres grávidas indicaram que não produz reações adversas de risco com respeito ao curso da gestação e à saúde do feto ou do neonato. Não há informações sobre sua eliminação pelo leite materno.

Interações.

A administração conjunta com analgésicos, corticosteroides, analgésicos anti-inflamatórios não esteroides, antagonistas da vitamina K e dextrana pode causar exacerbação do efeito anticoagulante da dalteparina sódica.

Contraindicações.

Pacientes com hipersensibilidade ao fármaco, úlcera gastroduodenal aguda, hemorragia cerebral, coagulopatias, endocardite séptica, lesões e operações no sistema nervoso central, olhos e ouvidos e trombocitopenia em pacientes com resultado positivo no teste de agregação in vitro em presença de dalteparina sódica.

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